20 março 2014

Os Adoráveis (Sarra Manning)

Olá pessoas,
tudo bem?

Hoje vim dar noticias sobre outra leitura desse mês de março.

Eu estava querendo ler algo leve e descompromissado, mas que, ao mesmo tempo não fosse completamente vazio - o vazio sempre me cansa. Foi aí que dei de cara com Os Adoráveis, da autora Sarra Manning, publicação de 2013, da editora Novo Conceito.


Duas coisas curiosas: a) quando a editora mostrou os lançamentos, eu não me interessei e, consequentemente, não solicitei. A ideia de uma jovem que propunha reconhecer e assumir seu estilo arrojado/original num mundo de mesmice não me chamou atenção, talvez porque tenha me parecido mais um livro de rebelde sem causa, ou de exaltação vazia da moda; b) vocês sabiam que a autora ébest-seller?!...eu nunca tinha ouvido sequer falar dela.

Não, não tenho preconceito com best-sellers, como vejo que muita gente tem; aquele velha discussão de que esses blockbusters são maquinas de dinheiro, são vazios, descartáveis etc. Tem muito best-seller assim? Fato. Mas há coisas muito boas que podem ser perdidas por causa dessa postura de “apenas os clássicos valem à pena” ou “só leio coisas de quem conheço”.

Enfim, eu me joguei na leitura de Os Adoráveis que, embora não seja nenhuma grande obra literária, me divertiu.

A história é um clichezão: uma garota nada bonita (Jeane Smith), mas que compensa a ausência de beleza com inteligência e perspicácia. Um garoto atraente (Michael Lee), desejado pela escola inteira. De um modo curioso/ atrapalhado, eles se envolvem e essa relação será pontuada pelas diferenças entre seus estilos. Resta saber: a atração sobreviverá? Evoluirá para algum outro tipo de relação que não apenas física?

A narrativa da autora é bastante ágil, com boa sequência de ações. O começo foi bem dinâmico e até mesmo interessante e divertido, mas acho que um pouco disso foi se perdendo ao longo do caminho.

Quando a família de Jeane passou a ser apresentada mais detalhadamente, achei que a autora teria um excelente gancho pra discutir (ainda que não profundamente, pois não parecia ser sua intenção nesse livro) a relação entre pais e adolescentes, especialmente tendo os meios relacionados à internet mediando essa relação; não foi isso que aconteceu. Eu via uma Jeane raivosa e ressentida, fazendo-se de forte, mas altamente vulnerável, só que isso não evoluía. Achei coerente ver que a personagem Jeane vivia na fronteira entre boa maturidade para os negócios e a evidente imaturidade emocional, mas eu esperava sempre mais no destrinchamento desses aspectos.

Até vislumbrei um esboço de crítica à inserção desenfreada nos meios digitais, a obrigação de estar online o tempo todo, ou melhor, a sensação de que as pessoas não acham mais suficiente “estar online”, mas “ser online”, mas isso não foi adiante, pairando na superfície.

Duas coisas me incomodaram bastante, motivo pelo qual demorei de postar essa resenha; queria que a poeira assentasse e minha impressão ficasse clara a respeito dessa leitura.

Vemos na história a ideia de que “a geração mais jovem vai salvar o mundo”. Ok, eu sei que isso não é novidade, e pode até ser entendida como uma esperança de que o que não está dando certo seja corrigido num futuro próximo, mas ainda assim, a forma como foi apresentada me soou como uma promessa meio arrogante.

Meu segundo incômodo se refere a uma reviravolta envolvendo Jeane, quase no final da história. Achei que foi um acontecimento contra tudo que a história havia construído até ali.

O final? Previsível.

Um beijo e até mais! 

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