27 janeiro 2014

Vathek (William Beckford)

Olá, pessoas!


Vamos à estreia do projeto!

O livro de Janeiro é Vathek (uma história árabe ou a história do califa Vathek) do autor William Beckford, escrito em 3 dias e duas noites, no ano de 1786 e que serviu de inspiração para autores como Poe, Lovecraft, Lorde Byron.

Nível de dificuldade: leitura fácil, sem linguajar rebuscado, enredo simples.

Do que se trata:

A historia fala do califa Vathek que, a despeito de sua fortuna e poder, renuncia à religião islâmica e aceita acordos com forças maléficas a fim de obter poderes sobrenaturais e conhecimento jamais possuído por qualquer homem. Cego pela ganância, ele cai em sucessivas armadilhas que corrompem, paulatinamente seu caráter e sua sanidade.

Minhas impressões:

A historia é claramente influenciada pelos contos das mil e uma noites e, possivelmente o meu pouco conhecimento das lendas orientais dificultou a visualização de alguns seres e elementos da história, como gênios, afrits e outros termos dos quais não me apropriei. Pode parecer estranho que eu, leitora voraz e apaixonada de fantasia tenha sentido dificuldade em entrar no clima da história, mas foi exatamente isso que aconteceu. Eu não consegui mergulhar, comprar a proposta do autor e acreditar nos acontecimentos. Tudo me parecia forçado e exagerado, apesar de haver, aqui e ali, elementos interessantes e que me fizeram levar a leitura adiante.

O palácio do fogo subterrâneo, que Jorge Luis Borges traz como a grande criação de Beckford, não me impactou, muito menos a descrição de que o olhar fulminante do califa fazia com que as pessoas morressem instantaneamente; essas abordagens dramáticas me enfadam um pouco, e mais me fazem rir que temer.

As personagens femininas eram pálidas, sem vida; as que faziam parte do harém praticamente descritas como gazelas saltitantes, Noronihar, a mulher por quem o califa se apaixona, sempre fraca e à sombra dos homens.

A única mulher marcante é Carathis, mãe do califa; definitivamente forte e decidida, ardilosa, mais decidida e racional que o filho, versada nas artes ocultas e cheia de gostos estranhos: 50 escravas negras mudas trancadas numa torre, coleção de múmias etc. Se ela fosse a personagem principal, acho que o leitor ganharia muito mais.

Pontos de destaque/curiosidades:

Aparece uma espécie de versão da terra do nunca, com crianças salvas de um destino terrível e “congeladas” na infância feliz.

Os vampiros aparecem na história, muito rapidamente, como habitantes de cemitérios e informantes das forças do mal. Não tomavam sangue, mas aspiravam os mortos. Lembrei muito do livro O vampiro antes de Drácula e das diversas apresentações desse personagem antes de Bram Stocker definir suas característica.

A perdição do home pode vir de diversas fontes, em especial: o amor desmedido e a ambição por poder e conhecimento vedado ao homem, já que este deve se conformar com sua pequenez e ignorância.


Avaliação final: Esse foi um livro curtinho, mas que me rendeu várias paradas porque o ritmo das ações não me envolveu e, especialmente, os personagens não me cativaram. De 0 a 5 estrelas, daria 2,5.

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