25 dezembro 2013

Extraordinário (R. J. Palacio)

Se eu tivesse feito a TAG “Todo mundo leu, menos eu” citando títulos de livros e não autores, certamente Extraordinário estaria nela, mas, será mesmo que há motivos, pensava eu, pra tanta gente de derreter por ele?

Sim, há.

Extraordinário é um dos livros mais divertidos e bonitos que eu já li. E, dizendo isso, não estou apenas escolhendo “ser gentil”, estou escolhendo ser, acima de tudo “sincera”.

Pra quem nunca ouvir falar sobre esse livro (Hello?! Onde estava você? Explorando Marte?), Extraordinário conta a história de August Pullman, um garoto de 10 anos portador de uma síndrome genética que provocou deformidades em sua face. No momento, seus pais discutem a ideia de matriculá-lo numa escolar regular, já que, até ali, ele estudava em casa, com a mãe, tanto devido ao tempo que passava internado em consequência de diversas cirurgias quanto como forma de proteção da crueldade do olhar inquisidor do mundo. Ele existe, sabemos disso.

Achei muito bacana a forma como a autora foi descrevendo a aparência de August no texto: homeopaticamente, sutilmente, através do próprio personagem, sem querer chocar, mas sem dar pinceladas de Polyanna.

R. J. Palacio poderia ter ido pelo caminho mais piegas, chato e mentiroso, mostrando a família e amigos de August como pessoas que o amavam desde sempre, sem dúvidas ou momentos de choque, mas ela optou por jogar mais limpo e permitir a seus personagens serem simplesmente...humanos.

Dúvidas, raiva, vergonha, medo, ressentimento, culpa, inveja. Tudo isso aparece na história, como aparece na vida. Nem sempre é fácil conviver com a diferença e, negar isso, é uma das mais claras expressões de preconceito, alem de silenciar possíveis discussões e, consequentemente, possíveis avanços nesse sentido.

Essa, definitivamente, não é uma história asséptica. Ela gira em torno das dificuldades das relações, das ambiguidades, dos preconceitos, da auto-estima, da formação de identidade, dos medos e anseios inerentes aos papéis que precisamos desempenhar, do medo do desconhecido, da diferença entre ignorância e maldade e de como nosso caráter é consequência de nossas escolhas.

Não apenas as pessoas precisavam ver August além da sua aparência, mas, ele mesmo precisava se ver além disso, precisava ter uma noção mais clara de seus limites e potencialidades, precisava ser mais leve... e como foi delicioso acompanhar isso!

Destaco como excelente artifício da narrativa, a perspectiva dos vários personagens, incluindo diversas versões do mesmo fato. É isso que deixa a historia redondinha, gostosa, envolvente e mais humana, real.

Enfim, eu recomendaria Extraordinário para crianças, adolescentes, adultos. Para toda e qualquer pessoa que goste de uma boa história e que esteja disposto a se emocionar. O preceito do Sr. Browne, guardei pra vida, claro:

“Quando você tiver que escolher entre estar certo ser gentil, escolha ser gentil” .


Está cada vez mais difícil, eu sei, e, por isso mesmo, cada vez mais urgente.

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