06 novembro 2013

O poder da espada - Trilogia A primeira lei (Joe Abercrombie)


Olá pessoas!
 
Hoje trago as impressões de leitura de um livro enviado gentilmente pela editora parceira Arqueiro.




Sempre que termino um livro e vou partir para outro, realmente tenho a sensação de que outro universo está prestes a se abrir; confesso, esta é uma sensação maravilhosa e assustadora. Maravilhosa porque começo a imaginar se aquela será mais uma história que me arrebatará, cujos personagens me acompanharão pela vida como uma doce sombra, quase cruzando a fronteira e se fazendo gente no meu dia a dia. Ao mesmo tempo, é assustadora porque sempre penso: e se for uma porcaria? Eu sei, é um pensamento meio besta, afinal de contas, se não for bom, posso apenas fechá-lo e partir pra outro, mas, preciso reconhecer: eu fico altamente frustrada quando a história não me pega.

Mas, porque estou fazendo esta introdução toda? Não deveria ir direto ao ponto e falar do livro de hoje? Sim. E não. Eu falei tudo isso porque fui para a leitura de O poder da espada morrendo de medo e eu tinha 3 motivos para isso:

1. O livro traz em sua contracapa uma recomendação de peso: ninguém menos que George R. R. Martin;

2. Épicos de fantasia estão entre os meus livros favoritos. Sempre.

3. Eu já tenho 2 livros da Arqueiro entre os meus mais amados DA VIDA e estava sentindo que esse poderia ser muito amado também.

De cara eu encontrei um primeiro capítulo chamado “FIM” e cuja primeira linha já trazia uma cena de ação. Neste começo ficou bem claro que aquela seria uma história de sobreviventes, não apenas no sentido óbvio e simples de quem escapa por pouco de ameaças a sua vida, mas no sentido de quem está vivo “apesar de”. E, devo dizer, os “apesar de” dessa galera não são brincadeira.

O que eu achei do livro?

Gostei muito. Muito mesmo. Tanto que, mesmo numa semana super puxada de plantões seguidos e chegando em casa em frangalhos...eu reservava um tempinho pra ler nem que fosse um capítulo, um trechinho.

Vejam só, eu abri mão da mania de não nem iniciar o capítulo se não desse pra terminar!

A vontade de saber mais, de voltar para aquele mundo era TANTA, que eu preferia ler um pouquinho, o máximo que meu corpo cansado permitia, do que não ler nada no dia.

Vamos à história:

O livro se passa num lugar chamado União; vários territórios estão em guerra, matando-se como se não houvesse amanhã e, aos poucos vamos conhecendo as pessoas e o ritmo de vida em cada um desses lugares. Há uma estrutura monárquica, com um rei altamente banana e uma nobreza igualmente patética; a alta patente do Exército é formada por nobres e seus descendentes, muitos dos quais, campeões saídos do torneio anual de esgrima. Falo desse torneio porque a preparação para o mesmo é quem vai nos apresentar o jovem Jezal Dan Luthar.

À primeira vista pode-se até pensar nessa criatura como o herói do livro, mas eu não dei a mínima pra ele. Começou como um moleque chato e arrogante ...e terminou como um moleque piegas. A presença dele foi, para mim, completamente ofuscada pelos excelentes Glokta e Nove Dedos. Gente, eu amei esses dois! E mais, amei seus comparsas/companheiros também!

Glokta é irônico, cruel...e sincero, tem a dor como gêmea xifópaga. Depois de ser um campeão, é capturado e torturado, voltando pra casa cheio de marcas e sequelas (por dentro e por fora) e passa a trabalhar para a Inquisição; vale ressaltar que a Inquisição aqui não tem elementos religiosos (não que eu me lembre!), mas atua no controle das relações comerciais e relações em geral, meio que como o braço forte do Rei, inclusive nas tarefas mais escusas. Quando um corpo desfigurado aparece boiando no canal...é bem possível que haja dedo da Inquisição. Posso dizer que amei o fato da maior autoridade da Inquisição ser chamado de arquileitor?

Enfim, Glokta vira especialista em tortura e tem como principal instrumento seus práticos Severard e Frost. Sensacionais...os dois. Já Nove Dedos, meu outro querido, é uma criatura super misteriosa, que ganhou esse apelido por ter um dedo da mão a menos (dãããã). Mesmo agora, enquanto escrevo essa resenha, não sei bem o que pensar sobre ele, porque, vejam bem, além do cara ser um dos poucos que ainda fala com os espíritos, ele ainda é conhecido por outro nome, o Nove Sangrento, que, para mim, tinha uma explicação muito mais simples do que parece ter. Ficamos sabendo que Nove Dedos liderava um grupo, e isso só me fez pensar em como ficaria incrível aqueles caras no cinema! Tul Duro, Barca Negra, Três Árvores, Sinistro, Cachorrão, Forley – homens nomeados, temidos...e perdidos num mundo que já não parece mais existir como eles o conheciam.

O poder da espada tem os clichês típicos e esperados de um romance medieval, incluindo a presença de um mago de aparência simples, mas de grande poder, Bayaz, o primeiro dos magos. A entrada dele na história traz reviravoltas interessantes e importantes e, especialmente, a formação de um grupo de viajantes improvável.

A dinâmica da história é ágil, instigante, recheada de cenas de ação bem escritas. A quantidade de personagens é grande, mas Joe Abercrombie nem de longe deixa os leitores confusos; ele consegue delinear muito bem os diversos ambientes, as diversas pessoas, suas personalidades e destaque na história. Não gostei de todos os personagens, como o chato do Jezal, por exemplo, mas obviamente isso não tira o mérito do livro. Inclusive, a intenção do autor pode (e deve) ter sido essa mesmo!


Achei um excelente primeiro livro de uma trilogia, gostaria de estar com o livro 2 nas mãos agora mesmo; considero a quantidade de informações bem adequada para nos cativar e, ao mesmo tempo, deixar muito mistério e gancho para o livro seguinte.

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