09 outubro 2013

Um vagabundo em Nova Iorque (Chafi Nader)

Até hoje eu nunca havia lido um livro que me deixasse tão chateada. 

Não, eu não li o livro todo. Não consegui. E fiquei pensando se faria ou não uma resenha sobre um livro do qual não gostei, não consegui ler todo e que, por ser de um autor nacional, isso pudesse me render alguma dor de cabeça. Mas, o blog existe pra compartilhar minhas impressões de leitura, boas e ruins, da forma mais sincera possível. Respeitosa também. Por isso, tudo que eu disser aqui reflete minha opinião de leitora sobre uma obra, ok. As fotos foram postadas para corroborar os pontos destacados.

O autor começou bem, falando, no prefácio, sobre a motivação (da viagem e do livro), das escolhas feitas, da sensação da chegada e das dores da partida. Nesse momento, eu simpatizei com ele. Achei que seria  interessante ler esse relato, eu que, criada pelas séries de TV -  desde muito antes de ser possível encontrá-las para download meia hora depois de irem ao ar - cultivo ainda o sonho de conhecer NY.

Acontece que o que encontrei me deixou boquiaberta. No mau sentido. 

O texto começa com vários episódios em que o autor procura cafés para recolher-se a uma mesinha de canto e observar os passantes enquanto escreve seu livro. Tudo ok, mas a partir daí, vem uma sucessão de descrições bizarras e mal humoradas sobre como as pessoas são barulhentas e incomodam. Palavras e mais palavras numa enxurrada pontuada por referências extremadas às aparência das pessoas numa obra que se propunha a falar da experiência de viver na cidade de NY.

NY é fortemente visual, eu sei. Mas, o que esse visual exagerado, excêntrico, forte, misturado, confuso, denso e tenso comunica? Nada?!

As mulheres, maioria sob o olhar do autor, dividem-se basicamente em: feias e fêmeas atraentes. Sim, o termo fêmea é usado pelo autor. Assim como o adjetivo “feia” é usado à exaustão. Ah, vale ressaltar que essas mulheres são invariavelmente lobas prestes a atacar as presas masculinas indefesas.




















Vocês ficaram chocados? Eu fiquei.






Essa é uma referência à garçonetes, porque, sim, além de servirem "às mesas", precisam, pelo visto, servir "aos clientes"...






Bom, além de várias passagens, termos, descrições, estereótipos, piadas, alusões terem me incomodaram e ofendido enquanto mulher, a própria estrutura do livro, a meu ver, tem várias falhas:

Os textos são divididos num estrutura de contos ou semelhante a isso, mas não se nota uma mudança de temática ou perspectiva. Aparece um novo título no meio do texto, mas ele parece a continuidade do anterior. Além disso, a narrativa me pareceu uma descrição não lapidada dos acontecimentos presenciados, alguns, devo dizer, bastante inverossímeis.

O livro me pareceu uma ode à figura do autor, essencialmente narcisista, muito diferente da proposta inicialmente apresentada. Quando comecei a ler, achei que Chafi Nader fosse me mostrar uma NY em várias facetas: aquela que cintila aos olhos de quem chega lá com uma mala e um sonho de anos, mas também aquela de quem passa a viver seu dia a dia – morador, mas sempre estrangeiro.

A única NY que eu vi foi aquela traduzida pela lente de alguém que enquadrou as imagens a partir do seu duro crivo pessoal de certo ou errado, bonito ou feio, preto ou branco.

Acontece que, felizmente, o mundo não é preto ou branco. Alguns podem/vão dizer que o autor fez uso de ironia e sarcasmo e que eu levei tudo muito à sério ou não entendi. Não. Não foi isso. 










Eu não preciso falar dessa questão dos índios, né?!





Esse livro me serviu pra algo muito importante: é sempre mais rico e mais humano ver as pessoas, todas elas imersas em suas insubstituíveis belas imperfeições, seja em NY ou qualquer outro lugar do mundo.

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