05 junho 2013

Diário de uma hipocondríaca (Bete Giacomini)

Olá pessoas!

Hoje eu vim falar de um livro com o curioso nome “Diário de uma hipocondríaca”, gentilmente enviado pela editora parceira Dublinense.

O nome diz exatamente o que ele é: um diário. Os capítulos são organizados em dias da semana com horários dos acontecimentos/pensamentos, incluindo as sessões realizadas com o psiquiatra e o psicanalista da personagem.




Ela, Elisa, é uma controladora de vôo, que relata a experiência de viver com ansiedade e medo constantes. Outros personagens aparecem, mas, apenas de passagem, como ilustração para as crises de ansiedade, os episódios de pensamentos obsessivos e atos compulsivos, em resumo, os dilemas de alguém que , como ela mesma se define, vive esperando algo que nunca chega.

Através de um relato leve e divertido, a autora Bete Giacomini, fala de coisas muito sérias e comumente rotuladas como frescura ou exagero.





Confesso que, inicialmente, pensei em considerar esse livro uma espécie de versão light de auto-ajuda, mas rapidamente mudei de ideia. Seria um rótulo nada merecido. Entretanto, algumas passagens podem até possa ser bem interessantes para repensar nossa forma de encarar a vida.





Destaco dois pontos discutidos pela autora:

O primeiro ponto me toca enquanto pessoa comum e que se refere ao potencial dos pensamentos ruins para tirar a energia e o brilho das coisas. Essa é uma verdade óbvia, mas, por isso mesmo, deve ser sempre lembrada. A imaginação, ao mesmo tempo que pode ser o trampolim para construções fantásticas, por outro lado pode facilmente descambar na exacerbação dos medo e na prisão do paciente ansioso: a antecipação. O futuro é sempre o horizonte buscado, que nunca chega, enquanto o presente é sempre nebuloso, tenso, angustiante e em suspenso.

O segundo ponto me toca enquanto profissional:

Psiquiatras e psicanalistas vivem tão imersos no sintoma que não nos enxergam. A cura, muito menos” (p.121).


Não é tão difícil incorrer no erro, principalmente quando não se tem muita experiência, de manter o foco no sintoma e patologizar o sujeito, negligenciando ou, pelo menos, dando mesmo atenção aos aspectos positivos, preservados, de sua personalidade. Essa postura só privilegia atuações iatrogênicas, convertendo a terapia em uma muleta, sem a qual o paciente não consegue se manter.

Diário de uma hipocondríaca é uma leitura rápida e agradável, que trata com leveza e humor um dos maiores dramas do nosso tempo: a ansiedade.

Um beijo e até mais!

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