24 novembro 2012

Resenha: Contos Fantásticos no Labirinto de Borges

Olá pessoas!

A resenha de hoje é sobre um livro do qual já falei algumas vezes nos vídeos no canal, inclusive na mais recente TAG, quando o citei como opção para presentear um desconhecido.


Contos fantásticos no labirinto de Borges foi enviado pela editora parceira Casa da Palavra e preciso, antes de qualquer coisa, afirmar algo: fantástico é um termo mais do que apropriado para este livro.


Composto por 18 contos, o livro foi publicado em 2007 e conta com a organização de Braulio Tavares, que, por sua vez, merece todo o crédito pelas excelentes escolhas e atraente forma de apresentação. 

Há histórias de autores famosos como Ray Bradbury, Kafka, Edgar Allan Poe e H.G Wells, mas também muita gente não tão conhecida e com qualidade de escrita excepcional. 

Destaque: Antes de cada conto, o organizador incluiu uma apresentação do autor, destacando sua importância na literatura, onde foi publicado pela primeira vez e porque foi selecionado para a coletânea. Isso foi muito bacana!

Por falar na seleção, quais foram os critérios para selecionar os contos incluídos? Bem, a escolha atendeu a 3 critérios: contos favoritos de Borges, contos incluídos em antologias organizadas por Borges, contos nos quais os organizador observa semelhanças com o estilo de Borges.

Nesse último caso, o organizador incluiu um posfácio intitulado contos borgianos no qual expões as semelhanças apontadas e o faz de forma clara, interessante e, eu diria mais: imperdível. O livro ainda conta com excelentes ilustrações de Romero Cavalcanti.

Não vou falar das histórias de todos os 18 contos, afinal, seria cansativo demais, né? Mas, pra aguçar a curiosidade de vocês, citarei os contos que considerei como TOP:

A livraria (1941) – Nelson Bond

Tem uma das histórias mais fantásticas que eu já li! O personagem Marston tenta escrever um romance, talvez o melhor que já produziu, mas, depois do terceiro capítulo, suas ideias parecem murchar. Isso o leva a encontrar uma misteriosa livraria que guarda títulos dos quais ele nunca havia ouvido falar, embora tivessem sido escritos por autores mais que famosos. A "livraria dos livros não escritos", do que deveria-ter-sido é um lugar misterioso, encantador, comovente e fascinante. Aventure-se nela.

Um incidente na ponte de Owl Creek (1890) – Ambrose Bierce

A história começa com um homem de pé sobre uma ponte férrea, prestes a ter sua condenação de morte cumprida...mas, de repente, todo esse cenário muda. Será? Nessa história, o autor mexe com nossa percepção, nos mostrando como diversas realidades podem coexistir.

Onde seu fogo jamais se apaga (1922) – May Sinclair

Tudo que Harriott deseja é deixar seu passado, junto com as lembranças e escolhas, para trás, mas ela não contava com a possibilidade de estar condenada a vagar por um labirinto eternamente.


Carcassone (1910) – Lorde Dunsany

Admirado por ninguém menos que Robert Howard (Conan), H.P.Lovecraft e J.R.R.Tolkien, este autor nos presenteia com um lindo conto de fantasia com enredo envolvente que me fez desejar que ele fosse uma história muito mais longa para que eu pudesse me perder na sua escrita altamente visual e empolgante. Destaco o trecho que achei mais poético, visual, soando quase como algo antigo e profético:

“Havia os que sonharam que existia na cidade uma bruxa que caminha, só, pelos frios pátios e corredores dos palácios marmóreos, terrivelmente bela e quieta a despeito de seus oitenta séculos, entoando a segunda mais antiga das canções, que lhe fora ensinada pelo mar, e vertendo lágrimas de solidão de olhos capazes de levar à loucura exércitos inteiros: não obstante, não chama de volta seus dragões – terríveis guardiões de Carcassone. Por vezes ela nada numa piscina de mármore por cujas profundezas precipita-se um rio, ou fica toda a manhã deitada em sua margem a fim de secar lentamente ao sol, enquanto observa a correnteza revolta perturbando o abismo das águas. A torrente percorre nas cavernas da terra distâncias maiores do que ela pode saber, vindo à luz na piscina da bruxa apenas para retornar novamente à terra, ao seu próprio mar peculiar”.

O abacaxi de ferro (1926) – Eden Phillpotts

Conta a obsessão de um homem por um determinado objeto, obsessão essa que lhe consome a sanidade e delineia suas ações, as quais ele passa a justificar como impossíveis de não serem executadas. É fascinante como o leitor é envolvido na história e, avidamente, segue os passos e as motivações do personagem.

Os Arqueiros (1945) – Arthur Machen

Neste conto, o autor usa como base um episódio histórico ocorrido em 1415, na Guerra dos Cem Anos, quando um reduzido grupo de soldados ingleses conseguiu derrotar um infinitamente superior exército francês, supostamente com a ajuda de São Jorge. Esse episódio ficou conhecido como os Anjos de Mons. Na história Os Arqueiros é feita uma narrativa tocante desse episódio e eu, que não sou religiosa, mas creio profundamente nos mistérios do mundo, fiquei emocionada!

Mas o homem que sabia latim e outras coisas inúteis, como o sabor do bife de nozes, também sabia que São Jorge tinha trazido seus arqueiros da batalha de Agincourt para ajudar a Inglaterra.

Pra falar a verdade, eu gostaria de falar muito mais sobre o livro, até pensei em fazer um vídeo porque os contos valem mesmo à pena:  variam entre muito bom e incrível, não há texto mediano, muito menos ruim. Se você está procurando literatura de qualidade para si ou para dar de presente, Contos Fantásticos no Labirinto de Borges é uma excelente escolha!

Um beijo e até mais!  

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