09 julho 2012

Resenha: ASGARD - O poder esquecido

Olá!

A resenha de hoje é sobre um livro enviado pelo autor Leandro R.S. Filho: Asgard - o poder esquecido.

Quando o autor entrou em contato, antes de qualquer coisa, fiquei bastante lisonjeada pela sua confiança em me disponibilizar um exemplar para que eu lesse e comentasse por aqui. Eu sei que os autores, especialmente os iniciantes, precisam muito de divulgação, mas acontece que o blog não faz parte do círculo dos grandes; além disso, creio que submeter-se a avaliação e crítica exige um enorme ato de coragem. Por isso, gostaria de agradecer publicamente ao Leandro pelo envio do livro, que ainda veio com dedicatória!

Sendo assim, vamos ao que interessa, o que achei do livro:

Logo de cara a temática me pareceu interessante, afinal, Asgard - o poder esquecido é um épico de fantasia e que (creiam!) inclui inspiração da mitologia nórdica. Quão legal é isso???? O livro tem os elementos básicos do gênero: vilão carismático, mocinhos não tão simpáticos, um herói desacreditado, ingênuo e improvável, magia, para o bem e para o mal.

A história trata da guerra entre os reinos de Asgard e Vanaheim pelo controle dos 9 reinos. Sentindo que irá perder a guerra, Loki, um sujeito nada confiável, sugere que Vanaheim lance mão de um recurso escuso e perigoso para virar o jogo; isso envolveria muitas mudanças e riscos, entre eles o envio da deusa Freya para Midgard, o mundo dos humanos, a fim de encontrar Ariel, o destemido e ingênuo jovem que pode mudar o destino desse embate.

Achei interessante a fusão de mundos, na verdade, a intersecção dos universos humano x deuses; foi legal ver o choque cultural e, em especial a transição dos personagens, com a humanização dos deuses e a divinização do mortal a quem coube uma importante e colossal tarefa. Por falar nesse mortal, é ele quem traz a representação do "escolhido", aquele cujas costas carregam o fardo do destino do mundo, aquele a quem cabe tomar a decisão, fazer a escolha para salvar ou condenar.

Considero a trama com bom nível de detalhamento descritivo, tanto dos cenários, como dos eventos e personalidades. Algumas coisas poderiam ter sido poupadas? Sim, com certeza! Várias arestas não fariam falta se tivessem sido aparadas, mas, de modo geral, creio que o autor conseguiu oferecer uma boa base referencial ao leitor, permitindo a visualização da história, o que, para mim, é fundamental em qualquer texto. Eu realmente preciso não apenas sentir que a história é possível (não no sentido de verdade/mentira, pois se assim o fosse, nem de fantasia eu gostaria!), acreditar na motivação dos personagens, mas, principalmente, para que a história me pegue pela mão e me leve...preciso "ver" as cenas. E, sim, eu "vi" a trama do Leandro.

Só que, quanto à descrição, acho que existe um risco iminente: descrever mais que narrar, ou seja, como ponto não tão positivo, acho que a história poderia ter sido mais fluida, mais dinâmica e vou usar duas metáforas para que fique mais clara a minha sensação:

Eu imagino a leitura como dirigir numa estrada: há estradas-tapete, onde se segue em frente sem obstáculos, sem balanços, trancos, permitindo aumentar a velocidade e quase voar. Há outras mais complicadas, com alguns buracos e desníveis que comprometem o ritmo. No caso de Asgard, os eventos eram dinâmicos, a história tinha uma essência boa, mas eu acho que a narrativa poderia ter sido mais lapidada para fluir melhor. Minha leitura ia num ritmo bom, mas aí quebrava em algum ponto e eu precisava recuperar esse ritmo.

Outra coisa, leitura, para mim deve ter ritmo de música clássica e não de rap, ou seja, ela segue aumentando e diminuindo o ritmo, pode diminuir tanto até quase parar...mas não pára, não quebra. Não há fossos, mas sim uma linha contínua.


Esse é o primeiro livro do autor, que tem apenas 17 anos. Criar todo um universo épico de fantasia não é tarefa nada fácil, e, só por se arriscar nessa seara, já há grande mérito. Acho que a história tem potencial, tem muita coisa a explorar se, por exemplo, o autor tiver interesse em continuar e nos mostrar as consequências das escolhas de Ariel. A mitologia poderia ser mais aprofundada para que o leitor fosse se apropriando do enredo, se familiarizando com as pessoas e o próprio mundo dos reinos, tudo isso, aliado a um narrativa mais redondinha. Vale ressaltar ainda a qualidade da publicação: capa suave, bonita, combinando com o tema, papel excelente, sinopse instigante. Só gostaria de dar um último toque ao autor e aos revisores sobre alguns deslizes quanto ao tempo e concordância verbais.

Assim, para quem quiser conhecer o trabalho do autor, seguem os dados:

Asgard - o poder esquecido.
Autor: Leandro R.S. Filho.
Ed. Novo Século - Coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira.
Ano de publicação: 2012.

Nenhum comentário: