27 julho 2012

O Nome do Vento (Patrick Rothfuss)


Olá pessoas!

Tudo bem?

Hoje é dia de resenha, mas, antes, preciso dizer uma coisa: faço todas as resenhas daqui com grande prazer, mesmo quando não caio de amores pelo livro, afinal, tem coisa melhor para um leitor do que poder compartilhar as suas impressões com outros apaixonados por livros? Entretanto, a resenha de hoje tem um quê de especial e tratará sobre o livro: O Nome do Vento - A Crônica do matador do Rei: Primeiro Dia, do autor Patrick Rothfuss, gentilmente enviado pela editora parceira Arqueiro/ Sextante.


Dois altos: Editora Arqueiro, MUITO OBRIGADA por ter impresso o livro neste excelente papel. Eu não sei se é o pólen (porque é amarelinho e macio), porque não há essa informação no livro. Isso pode parecer bobagem, mas é que eu detestava o papel geralmente utilizado, como aquele do livro A vida em tons de cinza (excelente, por sinal!), por causa do cheiro forte e irritante que, creiam, às vezes me distraía da leitura. Momento detalhista off. 

Se eu fosse escrever sobre esse livro em até 140 caracteres, bastaria dizer: Um dos melhores livros que já li na vida. Se eu pudesse, iria lá em Wisconsin dizer pessoalmente ao Patrick: muito obrigada.

Mas, sabe o que é curioso? Aconteceu uma coisa estranha com O Nome do Vento. Eu o conheci através do blog da Juliana Giacobelli; ela falou tão bem e com tamanha empolgação, e, ao ver que o tema era fantasia...eu não resisti: solicitei à editora. 

Tive que esperar um tempo, li outros livros da editora esperando a disponibilidade do exemplar e, quando ele chegou me deu um certo medo de ler e ficar decepcionada. 

Sim, eu adio a leitura de alguns livros por medo da decepção, minha gente.


Quando finalmente decidi abrir o livro, fui capturada desde a primeira linha, ou melhor, desde o primeiro título: Um silêncio de três partes. E a partir daí, minha gente, foi todo um caso de servidão voluntária.

O Nome do Vento é um livro de fantasia, o primeiro volume de uma trilogia, que trata de Kvothe, um homem misterioso, proprietário da taberna Marco do Percurso, que, um dia, instigado pela presença do Cronista, resolve contar sua verdadeira história, ou seja, o livro é narração de Kvothe, permeada por alguns diálogos:

“Antes de começarmos, você precisa se lembrar que sou um Edena Ruh. Contávamos histórias antes do incêndio de Caluptena. Antes de haver livros em que se pudesse escrever. Antes de haver música para tocar. Quando a primeira fogueira crepitou, nós, os Ruh, já contávamos histórias no círculo de sua luz bruxuleante”. P. 56.

O livro tem 648 páginas e muita informação. Isso é ruim? Não! Os personagens relevantes são em bom número, então você consegue conhecê-los, se conectar, até porque Rothfuss os apresenta de modo calmo, pouco a pouco, sem apressar, mas, também, sem enrolar. Há outros tantos personagens passageiros, importantes, mesmo no seu pequeno papel, mas também trabalhados com competência. E o que falar de Kvothe? Inteligente, astuto, engraçado, destemido, às vezes tímido, enfim, um personagem admirável, com tantas nuances, tantas possibilidades. Um herói que faz o que precisa ser feito, mas quando isso não corresponde ao recomendado. Ele precisa sobreviver e é isso que lhe move. É comovente ver como ele se apega com unhas e dentes à vida e todos os percalços que ela lhe traz. 

Fantasia é uma das minhas grandes paixões em literatura, mas, acontece que, às vezes, os autores se atrapalham. Correm demais, misturando um monte de elementos, exageram nas  descrições, se perdem nas criações. O Nome do Vento tem a medida certa de cada coisa e, o melhor, é verossímil! O que eu quero dizer? Bem, é claro que você continuará sabendo que o Dracus não existe, mas, uma vez mergulhada naquela história, uma vez que você aceite se tornar mais uma pessoa sentada na taberna ouvindo a história de Kvothe (e eu aceitei), faz sentido e você passa a acreditar no Dracus. E em tudo mais que aparece ali. Naquele universo, faz todo sentido, entende?

A escrita de Rothfuss é muito fluida, corrente, coerente, deliciosa, aconchegante, daquele tipo de livro que te pede um cenário do tipo: deite num sofá/cama/espreguiçadeira, se enrole e leia...leia...leia. Mas ele também é bondoso a ponto de permitir que você, talvez, não tenha esse cenário favorável e, mesmo assim, consiga se envolver. Na verdade, bondoso não é um bom termo para associar a este livro, afinal, ele até permite outros cenários, mas vai sugar sua atenção de uma maneira tal que você vai ficar enlouquecido pra saber mais e mais. Sim, você será refém. E vai gostar...rs. Dá pra acreditar que esse é o primeiro romance do autor?! A sequência deste livro é O Temor do Sábio, que espero ler MUITO em breve, e que ele seja tão maravilhoso quando esse. Essa foi uma das resenhas mais difíceis de fazer, pela necessidade de manter o foco na crítica e não apenas repetir em cada linha: espero, sinceramente que um dia eu possa ver esse cara de perto... 

Se eu fosse você, correria agora pra ler O Nome do Vento. Permita-se entrar no mundo de Kvothe: sacolejar ao ritmo de uma carroça de sua trupe, esgueirar-se pelas ruas de Tarbean, descobrir a Universidade, queimar scraels, circular entre as tabernas de Imre, apaixonar-se perdidamente, fazer amigos para toda a vida... Além de todas as qualidades, eu considero esse livro uma grande declaração de amor ao conhecimento, às histórias, à leitura:

  
“É por isso que as histórias nos atraem. Elas nos dão a clareza e a simplicidade que faltam à vida real”. P. 297.

“Como? Nenhuma defesa? Qualquer aluno meu deve ser capaz de defender suas ideias contra um ataque. Não importa como você leve sua vida, sua inteligência o defenderá melhor do que uma espada. Trate de mantê-la afiada!”. P. 259.

“Assim como os nomes têm poder, as palavras têm poder. Elas podem acender fogueiras na mente dos homens. As palavras podem arrancar lágrimas dos corações mais empedernidos. Existem sete palavras que darão uma pessoa amá-lo. Existem 10 palavras que dobrarão a vontade de um homem forte.Mas uma palavra não passa de uma pintura do fogo. O nome é o fogo em si”. P. 604.

*Tão Platão feelings esse último trecho, né?


BÔNUS:

Leia um trecho do livro: http://www.esextante.com.br/site/nomedovento/1_Cap_NomeDoVento.pdf
Conheça o blog do autor: http://www.patrickrothfuss.com/content/index.asp
Conheça a página do livro: http://www.sextante.com.br/onomedovento/




Ficha Técnica:


Livro: O Nome do Vento
Autor: Patrick Rothfuss
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro/Sextante
Ano de publicação: 2007 (1ª edição)


Beijo e até mais!

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