16 julho 2012

Coisas Frágeis

Olá pessoas!

A resenha de hoje é sobre “Coisas Frágeis”, a minha primeira leitura de Neil Gaiman. Até pouco tempo atrás eu nem mesmo relacionava Sandman (sua obra mais famosa) e Neil Gaiman, mas, felizmente, isso mudou. Não, ainda não li Sandman, mas já comecei a conhecer a escrita do autor e digo: é excelente.

Antes de falar do livro em si, preciso falar da edição. A minha versão é uma edição especial da Editora Conrad e só tenho duas queixas: as páginas brancas e a ausência de orelha. Fora isso o livro é perfeito: revisão ok, diagramação simples, bem clean e uma capa estonteamente bonita. Gente, repara bem: parece que cada vez que você olha, sua impressão muda! Eu pensei que fosse uma criança, mas, olhando bem, poderia ser uma moça; a pele parece descascada, mas também pode ser o efeito de uma parede sobreposta à imagem. Seria uma boneca envelhecida? Há sangue no nariz o que, por si só, é bem angustiante. Todo mundo que viu o livro na minha mão, foi atraído pela capa, chamou de linda e depois ficou meio assustado quando viu os detalhes. Como não amar?

*Curiosidade: alguém no twitter perguntou se Gaiman conhecia essa capa. Ele disse que não, mas também achou muito bonita*

Sobre o livro:

"Neil Gaiman não leva os leitores em consideração".

Essa foi a primeira frase que me veio à cabeça quando pensei na resenha sobre esse livro. Mas, por favor, não pensem que este é um comentário depreciativo!

Muuuuuuuuito ao contrário! Eu gostei. Amei, Fiquei encantada.

Essa minha afirmação sobre a não consideração aos leitores se refere ao fato de que ele não nos poupa, não é condescendente, não nos dá atalhos, não simplifica as coisas. Ele escreve o que tem que escrever e nos lança a mensagem, como garrafas jogadas ao mar. É por nossa conta e risco abrir e ler e, depois decidir o que fazer. Eu acho isso tão raro hoje em dia! Muitos livros estão tendendo a nos oferecer apenas informação, um amontoado de efemeridades e nada de conteúdo...e, sinceramente, eu não quero isso.

O livro é composto de 9 contos:

Um Estudo em Esmeralda; A Vez de Outubro; Lembranças e Tesouros, Os fatos no caso da partida da Senhorita Finch; O problema de Susan; Golias; Como conversar com garotas em festa; O Pássaro-do-sol; O monarca do Vale.

Gostei de todos e tenho certeza de que merecem ser lidos mais de uma vez; há referências e tanta informação nas entrelinhas, que, certamente deixei muita coisa passar. Os contos que mais me emocionaram foram “O Pássaro-do-Sol”, escrito por Gaiman como presente de aniversário para sua filha (Gente, não tem preço receber um texto de presente, né?) e “A vez de Outubro”, um conto inusitadamente...lindo em que a narração é feita pelos meses do ano!

Mas o que me marcou mesmo foram os personagens Senhor Alice e Smith. Eles aparecem em dois contos absolutamente surreais (Lembranças e Tesouros e O monarca do Vale) e são de uma riqueza e carisma proporcionais ao seu nível de canalhice. As motivações, a moral (ou falta dela) e as ações desses dois me deixaram meio chocada, em alguns momentos, mas de uma forma que me fez dizer: putz, que cara doido...e brilhante! Gaiman comentou na introdução que tinha projetos para estes personagens e, sendo este um livro de 2006, não me contive e perguntei, como falei no vídeo (não viram???? Corram AQUI!), para o Gaiman, via twitter, se ele já havia escrito isso. Bom...recebi como resposta “one day” e cá estou eu torcendo para que seja embreve!


Coisas frágeis é um excelente livro de contos; Gaiman tem um estilo bastante envolvente e pende para a escrita fantástica (e bonitão! Olha a foto aí do lado! - informação edificante off), mas, assim como meu amado Cortázar, sua narrativa é completamente bem costurada, garantindo verossimilhança à ideia mais absurda. O livro é tão bom que até a Introdução é digna de nota! Nela, o próprio Gaiman comenta rapidamente sobre cada um dos contos, explicando a circunstância em que ele foi escrito e onde originalmente foi publicado. O cara é tão bom, que mesmo fazendo uma coisa simples e praticamente técnica como esta, consegue mostrar seu incrível talento. Tem uma passagem tão bonita que me arrancou lágrimas e eu nem bem tinha começado a ler.
 
Pra deixar vocês com água na boca, segue o trecho:

Histórias, assim como pessoas, borboletas, ovos de aves canoras, corações humanos e sonhos, também são coisas frágeis, feitos de nada mais forte ou duradouro do que 26 letras e um punhado de sinais de pontuação”.


Ficha técnica:

Livro: Coisas Frágeis - Edição Especial
Autor: Neil Gaiman
Tradutora: Michele de Aguiar Vartuli
Editora: Conrad

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