29 junho 2012

Resenha: Garotas de Vidro


Olá!

Nossa, em um curto período de tempo chegaram 3 caixas recheadas da Novo Conceito, contendo, ao todo, 10 livros, ou melhor, 10 kits de livros. Quando a primeira caixa chegou, o livro que mais chamou minha atenção foi Garotas de Vidro, por isso esse foi o primeiro, dessa grande leva, que catei pra ler.

O tema da anorexia, aliado a essa capa super bonita despertaram a minha curiosidade e, ao fim da leitura, pensei: nossa, que livro forte! 

Achei a linguagem da autora bem trabalhada, rebuscada, cheia de metáforas. É dessa forma que ela nos conta a história de Lia, uma jovem de 18 anos que acaba de perder sua melhor amiga (de quem estava afastada há um tempo) e, como se não bastasse, ainda se vê às voltas com um severo transtorno alimentar.

Devorei o livro em 2 dias, sorvendo os pensamentos de Lia; conheci sua família e alguns outros personagens que faziam parte de seu cotidiano, mas o foco realmente é ela e seu comovente e desconfortável diálogo interior. Sim, desconforto é a palavra que melhor definiu a minha leitura, não no sentido de querer parar de ler, ou ter dificuldade de ir adiante. Meu incômodo foi pensar na imensa quantidade de implicações relacionadas aos transtornos alimentares, no sofrimento de quem vivencia isso na pele e na sensação de impotência de quem está ao redor. O Título me fez pensar em muitas coisas, desde a fragilidade das meninas, sua vulnerabilidade, até a ideia de que elas estão ali, tão perto, mas, ao mesmo tempo, tão fora de alcance.


Eu observava os capítulos numerados ao estilo da representação de peso, a contagem de calorias de cada coisa ingerida por Lia, a enorme quantidade de referência a comidas e bebidas e, durante toda a leitura, minha fome estava presente; eu tinha fome no sentido real da palavra, mas também tinha fome de entender em que momento o laço fundamental, existente desde sempre, entre comida e emoção, se torna mortal.Quando vi o estilo poético, digamos assim, da autora, tive receio de que ela trouxesse uma abordagem romantizada e até mística da anorexia, como muitas vezes fazem como outros temas, como a loucura, por exemplo. Mas este não foi o caso, felizmente.


Achei muito interessante a forma como Lia descrevia as pessoas como sempre gordas, inchadas, cheias de gordura, como se elas perdessem seu caráter humano e passassem a ser coisas ou seres vazias, cascas gordurosas de gente. A referência à comida e, aos que dela desfrutavam, com nojo poderia ser comum a tantos outros textos descrevendo portadores de transtorno alimentar. Acontece que a autora teve sensibilidade suficiente para fazê-lo de modo nada piegas, nada apelativo deslocando a Anorexia e Bulimia, quem para muita gente, corresponde pura e simplesmente à vaidade e birra/má vontade e levando-nos a pensar na carga de sofrimento associada. 

Gostei bastante da leitura e, apesar das idas e vindas, não fiquei confusa na narrativa. Minha única queixa se refere ao final do livro; achei um pouco forçado, uma necessidade de conclusão clichê, sabe? Mas isso não tira seu mérito.

Não é um livro técnico, um estudo de caso ou coisa do tipo, por isso não pode ter a pretensão de dar conta do assunto. Não é esse o objetivo da autora e isso fica claro. É apenas um texto que nos dá a oportunidade de pensar sobre os transtornos transtornos alimentares e suas implicações, com a devida importância e respeito. 

Afinal, temos fome (e sede) de que?

Nenhum comentário: