04 junho 2012

Resenha: A arte da imperfeição


Olá pessoas!

A resenha de hoje será sobre uma leitura desafiante: A arte da imperfeição, da editora Novo Conceito.

O desafio não se deve à dificuldade na leitura em si, mas da minha decisão de me despir do meu preconceito em relação a livros de auto ajuda e me dispor a ler esse aqui. Confesso que a disposição nasceu de duas fontes: o impulso de experimentar coisas novas, impulso esse estimulado pelo blog, bem como essa capa linda. Aliás, todo mundo que me via com o livro perguntava qual era e comentava sobre a capa; essa árvore torta, as letras de várias fontes e esse ar meio Tarsila do Amaral me ganharam.


Além disso, a chamada “Abandone a pessoa que você acha que deve ser e seja você mesmo” também me fisgou. Eu sei que ela é bem clichê, batida e rebatida e que exige uma tarefa bem mais complicada do que aparenta ser. Mas, possivelmente pelo meu momento pessoal de análise de prioridades, valores e outras coisas na minha vida, achei que seria no mínimo interessante saber o que D. Brené Brown tinha a me dizer.

O livro é de 2012, ou seja, acabou de sair do forno e tem como título original “The gifts of imperfection”, que traduzido ao pé da letra seria “Os dons da imperfeição”. Me pergunto, inclusive, porque não traduziram assim, já que a autora fala o tempo todo sobre esses dons (Coragem, compaixão e sintonia).

Brené Brown nos apresenta, no prefácio, seus estudos e os motivos que a levaram a produzir este livro e, nesse sentido, se coloca de modo bastante aberto, contando detalhes de sua vida familiar. Acho que isso é comum em auto ajuda em virtude da ideia de ensinar através do exemplo.

Em seguida, traz o que chama de “Orientadores”, uma lista de 10 tópicos que vai trabalhando em cada capítulo; o foco são as barreiras que impedem a experiência de uma vida plena. “A Jornada da Vida Plena” é, de fato, a proposta do livro, havendo, ao final de cada capítulo, uma seção interessante chamada DIA que é um treino para colocar em prática as lições que estão sendo aprendidas, digamos assim.

DELIBERAÇÃO - quando você identifica o problema e determina como se posicionar em relação a ele;

INSPIRAÇÃO – fontes de ajuda, suportes diretos ou indiretos para você se fortalecer para a ação;

AÇÃO – prática propriamente dita das atitudes mais adequadas e saudáveis em relação aos problemas.

A autora é bastante didática, explicando as definições de cada termo e destrinchando cada ideia; em alguns momentos achei-a repetitiva, mas, como ela mesma disse, um tema estava completamente relacionado ao outro, sendo, portanto, muito complicado não se repetir.

Uma certeza eu tive: auto ajuda não é, nem será meu tipo de leitura favorito. É bem improvável que vá ler outro livro desse gênero, já que tenho uma fila gigantesca de desejos. Apesar disso, em nenhum momento senti a leitura como sofrida ou arrastada. Foi divertida, leve, me fez refletir sobre algumas coisas e eu até mesmo coloquei em prática a ideia do DIA. E sabe que deu certo? Pois, deu!

Fiquei matutando sobre a minha implicância com esse gênero literário e acho que ela se deve à pretensão de achar que um livro vai lhe dar receitas para mudar a sua vida. Acho algo completamente receita de bolo: faça/fale/aja de tal forma e você será um novo sujeito, muito melhor e mais feliz que o anterior. Assim como o ser humano, a felicidade é algo tão complexo e pessoal (ela inclusive define felicidade e alegria, de um modo interessante!); além disso, estamos em eterna construção/reconstrução. Acredito sim que os livros possam mudar nossas vidas, mas porque alguma coisa naquela história fez um click na sua vida, se juntou a milhares de outras leituras (de livros, de histórias, de pessoas) e tornou-se mais uma peça (talvez a que estava faltando!) do intricado quebra-cabeças que é nossa vida.



Enfim, apesar de todas essas críticas, eu gostei do livro; ele não figura entre os meus favoritos, mas se eu o recomendo? Sim, se você gosta de auto ajuda, se você quer ler um livro bem escrito, leve e que pode, inclusive, lhe dar uns toques interessantes. Às vezes a gente precisa ouvir/ler o óbvio repetidas vezes, porque de tão na cara, é bem possível esquecê-lo.




Pra dar mais um gostinho, seguem algumas (muitas) frases que destaquei:

- Não negociar autenticidade em troca de aprovação.  Fundamental!

- "Em nosso mundo louco por tecnologia, confundimos ser comunicativos com estarmos conectados" - daí tanta agressividade e falta de respeito, né? Todo mundo passa a ser um avatar sem sentimentos.

- “Somos as pessoas mais obesas [eu incluiria anoréxicas], viciadas, hipocondríacas e endividadas de todos os tempos”.

- “Há uma rachadura em tudo. É assim que a luz entra” – trecho da letra de Anthem (Leonard Cohen).

- E.E. Cummings “Ser ninguém-a-não-ser-você-mesmo em um mundo que faz o possível, noite e dia, para fazer de você qualquer um, menos você mesmo, significa travar uma das batalhas mais duras que qualquer ser humano já travou, e nunca parar de lutar” - as pessoas lutam por ser diferente, mas acabam se tornando um exército de cópias infelizes...triste isso.

- "Na cultura atual, o nosso valor pessoal está ligado ao nosso valor patrimonial" - essa eu realmente amei e é uma giga verdade!


Um beijo e até mais!


Um comentário:

Ioana-Carmen disse...

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