25 maio 2012

Resenha: O Doador


Olá pessoas!


A resenha de hoje é sobre o livro O Doador, cujo exemplar foi gentilmente enviado pela editora parceira Arqueiro.





A autora:


Essa é mais uma autora cuja existência só me dei conta ao passear pelo catálogo da editora. As referências sobre ela são ótimas, olha só:
Com mais de 30 livros publicados, a americana Lois Lowry já recebeu diversos prêmios por sua obra, como o Boston Globe-Horn Book, o Dorothy Canfield Fisher, o Mark Twain e a Medalha John Newbery, concedida pela Association for Libray Service to Children, pelos livrosNumbers the Stars e O Doador (Informações do site da editora).


Gente, vou me permitir avacalhar o modelo que sempre sigo nas resenhas, porque essa aqui já começou diferente, desde a escolha do livro!

Minha relação com O doador passou por três fases (sim, parece aqueles programas de passos de autoajuda, ou definições em psicologia sobre estágios emocionais e tal):

1.  Quando li a sinopse no site, fiquei super interessada e enchi a paciência da Isabella, responsável pelo contato com os blogs, pra conseguir um exemplar para mim;

2.   Quando eu comecei a ler o livro e tive um déjà vu de Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley);

3.   Quando eu mergulhei, de fato, na leitura.




A sinopse dizia:

"Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora – o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes.Uma única pessoa, o Doador, é responsável por ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis".


Então, logo ficou claro para mim que era uma distopia e, por não ser comentada como Jogos Vorazes, Delírio, Feios/Extras/Especiais, achei que seria legal ver o que essa autora traria. A ideia de uma sociedade futurista em que todas as memórias foram banidas e entregues a um guardião, me cativou de cara. Mas aí minha dúvida ficou: porque o nome é O Doador?!

Como eu disse, enchi o saco da Isabella e consegui um exemplar; a edição que recebi foi super, ultra, mega simples. Claro que, como apaixonada por livros eu fiquei com uma pontinha de frustração quando o vi sem orelha, com capa simples, meio molinha, aquelas páginas que parecem daquees livros de coleções antigas da Rede Manchete (minha versão de Noites Brancas é dessa coleção #euajurássica), mas apesar disso, eu estava muito feliz. *sigam até o final do post para saber mais sobre isso!*

O ritmo do livro é bom. Muito bom. Você começa a ler e engrena de uma forma que não consegue parar porque é estimulante, pelo menos para mim, ver uma sociedade que é quase a nossa, mas ao mesmo tempo, é tão diferente. Entretanto, eu comecei a ficar chateada porque havia muitas semelhanças com o texto de Huxley e aí, aquela vozinha da intolerância começou a me cochichar que essa mulher estava quase copiando as ideias vistas em Admirável Mundo Novo

Eu li a obra de Huxley vibrando, sorvendo cada palavra, cada metáfora e, mesmo assim, tenho certeza que perdi muita coisa. Relê-lo não é uma opção, é uma necessidade. E assim eu fui ficando bronquinha. 

Só que não durou muito porque Jonas, o personagem principal, me cativou com sua personalidade doce, mas extremamente corajosa; daquela espécie de coragem que vem da intuição, de sentir o que é o certo a ser feito, mais do que racionalizar sobre isso.

E aqui eu preciso pedir desculpas à autora porque não, minha gente, O Doador não é uma cópia. É uma distopia, sim senhor, mas com originalidade naquilo que pode, afinal, o mundo é antigo demais para querermos apenas ideias originais. Talvez o mais complicado seja exatamente dizer algo novo sobre algo que já foi dito muitas vezes.

A história fala de Jonas, um garoto que aguarda ansiosamente a Cerimônia dos Doze, momento solene em que cada criança, ao completar doze anos recebe sua atribuição, ou seja, recebe a determinação da tarefa que irá desempenhar na sociedade. Há diversas passagens curiosas, mas, uma delas se refere às idades: as crianças são agupadas por idade e, em cada uma delas, tanto espera-se que se portem de uma maneira específica quanto há liberdades específicas como andar de bicicleta ou usar casacos de botões. Quando chega um determinado tempo, elas precisam se dividir entre a escola e as atividades voluntárias, uma espécie de estágio a fim de mostrarem maior ou menor afinidade com as atribuições e possibilitarem ao Conselho de Anciãos fazerem as determinações com segurança.

Todas essas e muitas outras regras são determinadas desde que a Mesmice foi imposta. A tão esperada Cerimônia dos Doze vai mudar a vida de Jonas e de todos para sempre e aqui entra em cena O Doador, personagem título.

O livro traz várias metáfora e uma infinidade de reflexões possíveis, mas duas delas me remeteram ao livro que havia acabado de ler (A arte da imperfeição, um exercício de combate ao meu preconceito com auto ajuda - resenha em breve!):

- O entorpecimento de sentimentos pode parecer uma ideia boa, mas acontece que ele não é seletivo. A neutralidade nos faz deixar de sentir as dores... mas também as alegrias.

- Pior do que fazer escolhas ruins, é não poder fazer escolhas. Somos o resultado das nossas imperfeições. Felizmente.

Recomendo MUITO a leitura de O Doador (você pode ler um trecho AQUI); não contei mais coisas porque esse não é o intuito de uma resenha e sim dar um aperitivo e nossas impressões, a fim de estimular a curiosidade do leitor!

Destaco ainda a beleza da capa que está completamente de acordo com a história, inclusive na escolha das característica da mão e na imagem da peça de encaixe (só faço uma ressalva em relação a essas referências às milhões de cópias e recomendações do NY Times, que poderia vir no fundo, sem macular as lindas capas da Editora Arqueiro). A diagramação é simples, mas muito agradável à leitura, com papel de excelente qualidade e folhas amarelas.


OBSJeff Bridges ("Bravura Indômita") quer adaptar o livro O Doador para o cinema. A Variety informou que Bridges e a produtora Nikki Silver compraram os direitos da obra da autora Lois Lowry. O ator pode interpretar o personagem título.


Estarei na fila na estréia: sim ou com certeza?!



*P.S: lembram do aviso lá em cima? Pois, é pra contar a vocês que depois de me enviar o exemplar mais simples, a Isabella fez a delicadeza de me enviar outro exemplar, desta vez, versão de livraria, ainda com marcadores e um cartão super fofo? Gentileza é tudo nessa vida, né? Amei, muito obrigada! :)

Um beijo pra cada um de vocês. Até mais!

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