16 abril 2012

Resenha - Eu sei o que você está pensando

Olá pessoas!

Hoje teremos resenha do livro Eu sei o que você está pensando, do autor John Verdon, gentilmente cedido pela editora parceira Arqueiro.


Como eu conheci o autor:





Vasculhando o catálogo da editora em busca da escolha do livro do mês, dei de cara com esse moço. Como admiradora de enredos policiais/thrillers psicológicos, me animei, menos pela indicação do NY Times do que pela sinopse que falava de um assassino que lançava um desafio quase paranormal.




A edição:


Mais uma vez gostei bastante da capa feita pela equipe da Arqueiro: simples, mas forte e comunicando a história. As letras vermelhas em verniz deram um ar dramático interessante. Não gostei muito do título porque sempre me remetia àquela série de filmes “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”; a aura besta do filme ficava ecoando, ainda mais quando vi que o título original era Think of a number, ou seja, se fosse traduzido ao pé da letra, acho que teria ficado melhor. 


Pra fechar meus comentários sobre a edição, destaco alguns deslizes da revisão quanto à língua portuguesa (por ex. em vários lugares em que a palavra “demais” aparecia, vinha escrita “de mais”).


* Em tempo: o comentário da leitora Juliana me lembrou que a forma "de mais" pode e deve ser usada em algumas situações; pesquisei e, de fato, se vier depois de substantivo, modificando-o, deve vir assim, separado. "Demais" deve ser usado quando exercer a função de advérbio, denotando a ideia de "excessivamente".
(Fonte: http://www.abec.ch/Portugues/subsidios-educadores/Lingua-Port/doc-linguaPortuguesa/n.285.pdf)


Procurei os trechos para exemplificar meu erro, mas, infelizmente, não consegui encontrar (como diabos eu não marquei isso, se sempre marco?!). Enfim, pra ser honesta quanto ao meu bem provável erro (mesmo que vá parar no Vergonha Literária...rs), optei por não modificar o comentário, mas adicionar esta explicação. 


Obrigada, Juliana, pela correção. Esse é um dos motivos pelos quais queremos leitores e, não apenas, seguidores! :)


O livro:



“Se alguém lhe dissesse para pensar em um numero, sei em que numero você pensaria. Não acredita? Pense em qualquer numero de um a mil. Agora veja como conheço seus segredos”.

É esta a frase que aparece na capa do livro; o mesmo texto presente na carta que Mark Mellery, um guru da auto ajuda, recebeu e o deixou apavorado, apesar da tentativa de dissimular sua preocupação. Visando desvendar o mistério, ele vai em busca de um antigo amigo, o detetive aposentado David Gurney, conhecido como um dos melhores investigadores da policia de Nova York.

Assim começa a jornada recheada de pistas estranhas deixadas por uma mente perturbada, cuja necessidade de infringir dor à outras pessoas era fundamental na busca de alivio para seu próprio sofrimento. O que parecia apenas uma ameaça vazia se mostra, pouco a pouco, um perigo real e, talvez, maior do que as forças policiais tenham imaginado. Cada vez mais personagens entram em cena para compor um enredo bem elaborado, inteligente e que, de fato, de forma geral, me surpreendeu, embora algumas pontas tenham permanecido soltas ou não tão bem explicadas.

Como pontos positivos eu destacaria a boa escrita de Verdon. O texto é dinâmico, tem passagens realmente empolgantes, mas que me deram a impressão de uma aceleração que não conseguia se manter, porque quando eu esperava o clímax, o ritmo voltava a cair. Além disso, achei interessante a abordagem de elementos da vida pessoal do detetive Gurney, em especial seu casamento e sua vida familiar na infância; os flashbacks e reflexões foram delicados, mas não piegas. Gostei do tom sensível das memórias e da discussão (superficial, infelizmente) sobre o impacto que as experiências emocionais infantis têm em nossas vidas. Pensei que a superficialidade dessa discussão poderia se justificar pelo fato de não ser o foco do livro, mas quando cheguei ao desfecho, penso que um link maior poderia ter sido feito. 

Outro ponto interessante foi a inclusão de elementos de mitologia nas pistas do criminoso; a explicação foi bem feira, sutilmente inserida, sem forçar a barra enchendo a história de dados enciclopédicos.

Quando pensei em falar de pontos negativos, fiquei um pouco confusa; critiquei o clichê usado em relação ao assassino (não posso falar, sob pena de dar spoiler!), na verdade, eu critico o uso que foi dado, a forma como o clichê foi trabalhado, sem originalidade, aplicando ainda a ideia de causa e efeito, se isso, então aquilo. Mas, não posso dizer que o livro é ruim. Também não é um livro que eu releria. Morno. Acho que esta é a melhor palavra que eu usaria para defini-lo.


O livro pareceu um episódio de série de investigativa/policial detalhista, elaborado, cheio de personagens, mas sem apelo carismático. O detetive aposentado David Gurney não foi um personagem que me pegou pela mão e disse “vamos”, tendo em resposta o meu sim silencioso e embarque de olhos fechados. Eu sou fã de séries policiais, mas o que acontece é que, para mim, Eu sei o que você está pensando está mais para Criminal Minds, com seus assépticos peritos, do que para CSI Las Vegas e seu estranho e apaixonante Gil Grissom.




* Leia um trecho do livro: 




Ficha técnica:

Livro: Eu sei o que você está pensando (Think of a number).
Autora: John Verdon.
Tradução: Ivanir Calado.
Editora: Arqueiro
Ano: 2011.

3 comentários:

Millena Bezerra disse...

Opinião é uma coisa difícil, gostei da sua resenha e só consegui pensar que recentemente também li um livro que tinha diversos pontos para ser bom, mas perdeu comigo por falta de carisma no detetive.

Vi algumas frases legais na coluna de quotes da Duda do BookAddict e achei que o livro seria melhor, embora desde antes eu não tenha me sentido atraída por causa do título.

Em algumas outras publicações da Arqueiro percebi essa falha no de mais e demais, enfim.

Beijocas.
Aparece lá...

Juliana disse...

A forma " de mais" existe e deve ser usada em determinados casos, especialmente em oposição a " de menos".


eu sempre me confundo.

Nayara disse...

Obrigada pela correção, Ju! Adicionei lá na resenha.

Volte sempre! :)