30 abril 2012

Resenha Clássicos de Terror


Olá pessoas! 

E...depois de um longo inverno, ops, de 534 páginas, 1 mês e 8 dias, e muitas desculpas, chegamos à resenha nossa de cada segunda! \o/

O livro de hoje foi enviado pela editora parceira Martin Claret e vale por três. Mentira. Vale por muitos livros, afinal, ele contém clássicos de terror escritos por três feras: Mary Shelley, Robert Louis Stevenson e Bram Stoker (esse lindo! ♥♥♥♥).

Ok, não deixem de seguir o blog no GFC e nas redes sociais apenas por causa da profusão de coraçõezinhos. Me dêem uma chance! 

Achei muito interessante ter lido clássicos depois de um bom tempo lendo romances vampirescos, livros de contos ou enredos policiais. É outra lógica, outra dinâmica narrativa, deliciosamente...diferente. A angústia inicial diante do meu tempo de leitura acabou-se por completo. Na verdade, o que aconteceu é que eu estava caindo no redemoinho devorador da pressão por ler mais e mais rápido. Ainda bem que consegui parar na beira do abismo e voltar.

Eu não preciso e não quero ter pressa para ler a fim de resenhar ou mesmo para achar que ritmo bom de leitura é ritmo rápido. E o prazer? Ler é um vício, só que sem as coisas ruins associadas aos vícios (além do povo chato que quer saber porque você lê tanto, compra tanto etc #povochatoesemnoção). Encontros com livros são como encontros com pessoas: uns exigem mais tempo, paciência, dedicação, atenção (e se tornam inesquecíveis), enquanto outros se oferecem mais facilmente e, muitas vezes, não deixam marcas, lembranças de sua passagem por nós.

 Mas deixa de blá blá blá e vamos ao que interessa. 

A edição:

Achei o livro muito bem feito, com revisão perfeita, sem nenhum erro. Não tenho acesso às obras originais, mas a tradução teve uma fluência boa, sem partes truncadas ou frases mal estruturadas. Além disso, gostaria de destacar as capas das novas edições da Martin Claret; para mim esse sempre foi um ponto fraco da editora porque considerava algumas capas sofríveis. Estou positivamente surpresa com as capas novas, em especial, com a capa desta edição, sóbria, elegante e completamente de acordo com o tema: terror.

Nota de destaque para essa imagem da aldraba em forma de leão. Belíssima! *Eu ando pelos prédios antigos de Salvador procurando essas coisas lindas e foi assim que descobri o nome. Elas servem para bater à porta*.


Os livros:

A minha empolgação com a leitura foi num crescendo desde Frankenstein (meio frio), passando por O médico e o monstro (esquentando muito!) até Drácula (amor eterno). 

Como assim? Explico:

Eu adorei a premissa de Frankenstein (1831), cujo subtítulo é “ou o Prometeu Pós Moderno”: a ideia de um cientista que, rompendo os limites éticos e movido pela vaidade cega, acaba por criar um ser que vai se transformar no seu pior pesadelo. Achei mais interessante ainda as circunstâncias em que foi escrito e que podemos conhecer a partir da Introdução da própria Mary Shelley incluída nesta edição: em uma conversa trivial, Mary, seu marido e um amigo combinaram que cada um deveria “inventar” uma história e partilhar com os outros. Apesar dos esforços, os homens não prosseguiram na tarefa, mas da mente dessa mulher brilhante saiu uma história, escrita aos 19 anos, que atravessou os tempos.

Considerei a narrativa um pouco arrastada, especialmente na parte dos embates entre a criatura e seu criador, com demasiada repetição no que diz respeito às motivações dos personagens e descrições de suas emoções. Não sei se esse foi um mecanismo determinado à oferecer ao leitor sensação de angústia semelhante às vivenciadas pelos personagens (provavelmente sim), mas o fato é que o meu avanço na leitura foi bastante atrasado e, porque não dizer, às vezes, desestimulado por essa característica. Mas, vejam bem: é uma excelente história, com personagens bem estruturados, com clímax, momentos de tensão, mas apesar de todas as qualidades...não me conquistou!

* Curiosidade: 

- o nome do cientista é Victor Frankenstein. E eu que sempre pensei que Frankenstein fosse o monstro. *momento da vergonha*. Foi aí que fez sentido para mim, finalmente, o subtítulo "Prometeu Pós Moderno"! 

- Prometeu, aquele que rouba o fogo (símbolo do conhecimento) dos deuses e dá aos homens. Como punição, é acorrentado a um monte e uma águia lhe come o fígado todos os dias, já que este órgão se regenera*


À esse livro, seguiu-se O médico e o monstro (1886) que, talvez vocês conheçam como Dr. Jackyll e Mr. Hyde.

Aqui eu já gostei mais da narrativa; mais ágil, mais encantadora, me fazendo virar as páginas compulsivamente em busca dos acontecimentos seguintes. Nesta história conhecemos o renomado médico Jakyll (prestem atenção a esse nome porque o livro o analisa e eu fiquei boquiaberta porque tinha me passado completamente!) e o sombrio Mr. Hyde (olha o nome! Olha o nome!), um homem que desperta muita desconfiança por todos os lugares que passa.

Fiquei pensando bastante nas duas obras e uma coisa curiosa me ocorreu: acho Frankenstein muito semelhante à O médico e o monstro, no que se refere à ideia geral de que guardamos dentro de nós luz e escuridão.

Pensem comigo: em ambos os casos há o nascimento de um novo ser, ou poderia dizer que há a emergência de uma nova personalidade. Enquanto em O médico e o monstro a metáfora é a transmutação, o ir e voltar, a ambivalência (nossa, isso me lembra TANTO o Gollum!), em Frankenstein há o “nascimento” efetivo de um novo ser, como se fosse um espelho da culpa do cientista, uma prova material de sua desmedida vontade de brincar de Deus).

A diferença, em minha opinião, é que O médico e o monstro é muito mais estruturado, elaborado, tem mais suspense...é mais terror, sabe. Stevenson vai narrando cada capítulo como um mini conto, mini novelas que vão se somando rumo ao desfecho. Você vai lendo meio sobressaltado, sentado na ponta da cadeira, esperando algo que lhe fala pular. O conflito existencial dos personagens é magnífico e permite que você desenvolva empatia com eles, coisa que não aconteceu em Frankenstein. Lá eu achava que o cientista deveria aguentar seu fardo, pois, afinal, bem o merecia. Aqui foi diferente; eu me emocionei e sensibilizei com Jakyll e Hyde. Eles me fizeram relatizar as coisas e pensar: será isso justo?

Finalmente eu cheguei à Drácula (1897). Gente, eu precisava ler esse livro e corrigir a falta grave de uma admiradora de vampiros nunca ter lido Bram Stoker! (Ainda preciso ler Anne Rice e André Vianco, fato). Pensem em uma escrita fluida, diferente, rica de termos e descrições vívidas, sem pontas soltas ou falhas....e você chegará a este livro.

O elemento mais interessante/surpreendente do livro é que ele é todo escrito em forma de diário, cartas, memorandos e bilhetes. Sim! Conhecemos as lendas que povoam a Transilvânia e o misterioso Conde que pretende comprar propriedade e se instalar na cinzenta Londres através das anotações no diário de Jonathan Harker (o jovem representante do escritório que agencia a venda de imóveis para o Conde), Mina Murray (noiva de Jonathan e, posteriormente, Sr. Mina Harker), Lucy Westenra (a amiga rica de Mina, noiva do Lorde Arthur), Professor Van Helsing (sim, ele mesmo, o mestre dos caçadores de vampiro! *se você pensou em Blade, Alaric ou nos redutores, você está fazendo isso errado...rs*) e John Seward (o dedicado médico que se divide entre o manicômio que abriga Renfield, um esquisito e fascinante paciente).

Essa característica torna a leitura muito estimulante porque as perspectivas mudam o tempo todo, já que você vê os acontecimentos pela ótica de diversas pessoas e Bram Stoker consegue fazer essa diferenciação. Dos três, esse foi o livro que mais me surpreendeu; até a última página eu não tinha certeza do destino dos personagens e, de vez em sempre era pega de surpresa por algum acontecimento que me dava a volta sem que eu nem mesmo suspeitasse. Drácula será, a partir de agora, minha referência de conto de terror. Eu falo isso com toda a convicção de quem quis economizar as últimas páginas por medo de abandonar os personagens cuja experiência apavorante realmente lhe deu medo.

Bônus 1:

Para quem ainda não sabe (como assim, minha gente?! Olha o banner bonitão ali do lado!), a editora Martin Claret, gentilmente, enviou um exemplar extra para vocês e ele poderá ser faturado pelo autor da melhor história de terror enviada para o blog no Concurso Clássicos de Terror. Interessou? Então corre pra liberar a imaginação. O tamanho e enredo do conto são livres.

Bônus 2:

Esse ano Bram Stoker completa 200 anos de morto e uma série de homenagens está sendo feita a esse grande escritor que influenciou e ainda influencia tantas gerações de escritores e leitores que admiram histórias de vampiros. 

Em comemoração, vocês verão aqui no blog resenha do filme Drácula de Bram Stoker, de 1992 (e que ano fabuloso foi esse para o cinema, hein!), que completa 20 anos de lançamento agora em 2012!

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É isso, gente. Espero que vocês tenham gostado e deixem aqui seus comentários, críticas, sugestões etc. 

Um beijo e até mais!




Ficha Técnica:

Livro: Clássicos de Terror - Frankenstein, O Médico e o Monstro, Drácula.


Autores: Mary Shelley, Robert Louis Steenson, Bram Stoker.


Tradução: Frankenstein: Roberto Leal Ferreira; O Médico e o Monstro: Cabral do Nascimento; Drácula: Maria Luísa Lago Bittencourt.

Editora: Martin Claret.

Ano: 2011.

3 comentários:

Millena Bezerra disse...

Nay,
Amei todos os seus comentários sobre os livros (comentário de quem não leu a postagem).
Agora para provar que li...
Aliás, ainda não li Frankenstein e achei interessante ter sido escrito por uma mulher jovem a partir de uma aposta. E nem conheço bem a história.
Já li O médico e o monstro, e gostei muito. Acho demais esse enfoque na dualidade que estes clássicos têm. E - o que sempre digo - o problema do clássico é que todos conhecem as histórias (e os finais!) mesmo sem ter lido, isso compromete a leitura. Desde o começo você sabe que o médico e o monstro são a mesma pessoa :s e o terror/suspense se perde um pouco nisso.
Aqui já sei que em Frankenstein, ele cria um outro ser enquanto em O médico e o monstro ele cria uma outra personalidade para si.
Eu também achava que Frankenstein era o nome do monstro --'
E, por fim, Drácula (eu deveria fazer uma conta no twitter só para a gente falar sobre esse livro). É perfeito e merece todo mérito, certamente é um clássico que não atravessou os tempos a toa. A troca de narradores nos deixa perfeitamente por dentro da história e cheios de expectativas. Todo fã de vampiros deve (eu repito: deve) ler Bram Stocker!

www.amorporclassico.com

Eu tô com um monte de livros para ler e pensando em reler estes... Rs.

Juliana disse...

Oie!

NHAIN, que resenhas perfeitas <3

MORRO DE VONTADE de ler Bram Stoker, pelo mesmo motivo que você ><" hahaha Acabei de comprar um livro da Anna Rice, vamos ver *-*

Adorei a parte do Alaric e dos Redutores hahahahaha

Eu já li um livro do André Vianco, mas não curti muito não :S Foi O bento e sei lá... a narração dele, pelo menos nesse livro, é muito socada. Com pontos finais demais e paragrafos grandes demais. Oração subordinada pra que, não é verdade?

Eu vi Dracula, o filme, por causa do Keanu *-* Mas faz TANTO tempo que nossa hahahaha nem lembro direito.

Desses três, com certeza é o que mais me interessa *-*

Beijooooo!

Ju
julianagiacobelli.com

Angélica Roz disse...

Que post perfeito Nayara!

Pretendo ler o três livros que você citou!!
Drácula, de Bram Stoker, comecei a ler mas acabei largando... Na época, eu ainda era muito tosca para livros clássicos.
Mas, agora, preciso dar jeito de recomeçar a leitura!

Que pena que Frankenstein não chegou a te conquistar... Não tenho como opinar porque ainda não li. :s

Mudando de assunto, foi você que me disse que estava trabalhando em um CAPS AD?
Acabei me perdendo nos comentários, mas acho que havia sido você...
Com a correria do dia-a-dia, o meu blog anda meio negligenciado coitado...
Ainda bem que tive feriadão, pois, assim, consegui colocar as coisas em dia. :)

Eu estava com saudades de passar por aqui, pois acho o seu blog muito bom!!!

Beijos!